
O baterista e professor Alexandre Damasceno, formou-se bacharel em Música pela Faculdade de Artes Alcântara Machado. Participou da gravação de vários CDs de música popular e instrumental brasileira, incluindo o último DVD da cantora Zizi Possi: Para Inglês Ver e Ouvir, indicado ao Prêmio TIM 2006 na categoria melhor álbum em língua estrangeira. Lecionou bateria na Faculdade de Artes Alcântara Machado "FAAM, Faculdade Santa Marcelina e na Fundação das Artes de São Caetano do Sul (SP). Já atuou com Phil deGreg, Vincent Gardner, Miles Osland(EUA), Gal Costa, Jonhy Alf, Olívia Byington, Lucinha Lins,Célia, Virginia Rosa, Vanessa da Matta, Paula Lima, Rubi, Roberto Sion,Toninho Ferraguti, Silvio Mazzuca Jr., João Cristal, Dino Barione, grupo Cascadanta, Marcelo Gomes, Flávio Barba, Jazz Sinfônica de Diadema, Orquestra Filarmônica de São Caetano do Sul,Orquestra Bachiana, Balé Folclórico do Estado de São Paulo (Abaçaí),Grupo Comboio entre outros.
Atualmente acompanha artistas/grupos como: Ana Paula Lopes, Faa Morena, Flávio Barba, Grupo Aquilo Del NIsso, Jorge Ervolini, Nenê Cintra, Marcelo Gomes, entre outros. E leciona na Faculdade FMU (Faculdade Metropolitana Unidas).
Confira agora a entrevista desse grande nome da música brasileira.
Entrevista com
Alê Damasceno
Paula Asfor: Soube que começou a estudar música, mais precisamente, piano, aos cinco anos de idade, influência de seu pai violonista, isso é verdade?
AD: Sim, lembro-me até hoje que era uma professora muito brava e que toda vez que ela chegava em casa para as aulas, eu ficava muito apreensivo, mas não guardo más recordações. Estudei piano por algum tempo. Depois fui estudar violão com meu pai, daí percebi que a professora de piano era moleza perto do Sr Daniel Damasceno, pernambucano arretado! (risos)
Paula Asfor: E porque bateria? Onde sua paixão por esse instrumento tão complexo começou? É claro que falo complexo no grau de dificuldade para quem inicia.
AD: Tudo começou em 1985, ano do primeiro Rock In Rio. Ao ver (e ouvir alguns bateras como o do Kiss, não me lembro o nome dele), minha cabeça deu uma reviravolta e a bateria surgiu em minha vida. Junte-se a isso o fato da mulher que trabalhava em casa, desde quando eu era criança, ouvir muito samba, quando menos percebi , já estava batucando em qualquer local que encontrasse e produzisse um som.
Paula Asfor: Você é formado em Música? Foi fácil? O que você diria para quem deseja ingressar nesse curso?
AD: Quando comecei a tocar a quantidade de músicos que tinham graduação era quase inexistente, mas hoje o panorama é diferente e em breve, aqueles que não possuírem tal titulação poderão se tornar minoria. Outro aspecto importante é que em um curso dessa natureza, a quantidade de informação é grande, podendo assim expandir os horizontes do aluno, criando mais possibilidades de trabalho. Em uma sociedade onde a informação passou a ser um dos elementos primordiais, a graduação em música é um ponto a ser analisado por qualquer um que deseje se profissionalizar. Se é fácil? Bem, eu tocava até 3, 4hs da manhã e logo as 8hs tinha aula de percepção musical. (risos), mas tudo passa muito rápido e quando vi, já tinha me formado. Hoje tenho grandes amigos que advém dessa época e com certeza faria tudo novamente se assim fosse necessário.
Paula Asfor: Bem, ao longo de sua carreira você acompanhou grande nomes da música, como a cantora Zizi Possi, Vanessa da Matta, Phil DeGreg, Vincent Gardner(NY), Olívia Bigton, dentre outros; qual desses trabalhos você considera o de maior grau de aprendizagem? É claro que cada um tem sua particularidade.
AD: Como você mesmo disse, cada trabalho apresenta uma característica. Mas um divisor de águas foi certamente o trabalho com a Zizi. Gravamos um DVD chamado Para Inglês Ver e Ouvir e fizemos uma turnê de divulgação. Este trabalho além de projetar o meu nome no meio musical, me ensinou a que ponto o profissionalismo e organização pode alcançar. Quando nosso paradigma muda, mudamos juntos e isso nos faz evoluir. No meu caso, tanto musicalmente quanto humanamente. Mas com certeza, todos os trabalhos foram ótimos e guardo ótimas lembranças e amizades de todos!
Paula Asfor: Em seu site você trás um arsenal de 12 CDs, quantos de fato você já gravou até hoje? Algum em especial, preferido?
AD: Vou parafrasear Tony Williams. Meu trabalho preferido é o próximo. Gosto de vários dos que gravei, mas mudamos diariamente e isso influi na maneira que ouço o que fiz, por este motivo creio que o próximo trabalho estará mais perto do que creio ser o objetivo a ser alcançado.
Paula Asfor: Como considera a conceptualização da sua música?
AD: Considero-me como um Sideman, ou seja, aquele que acompanha. Realmente este tipo de trabalho é o que mais me agrada. Para cumprir este papel de forma razoável, qualquer músico precisa aprender a dar espaço. A máxima "é dando que se recebe" se aplica maravilhosamente em música também, e dessa forma todos conseguem se expressar bem de forma a serem compreendidos.
Paula Asfor: Você escreve sua músicas? Partituras? Qual é a importância da escrita na sua música?
AD: Escrevo como uma forma de memorizar, mas geralmente recebo as partituras para os shows e gravações. A escrita musical, como a escrita gramatical, é um meio importante para a comunicação entre os seres humanos. Não vejo como se desvencilhar desse aspecto, a não ser que você pretenda viver isoladamente do resto da sociedade.
Paula Asfor: E quanto à composição e aos arranjos?
AD: Muitos me cobram um trabalho solo, mas ainda sinto que preciso amadurecer. Por enquanto, me realizado contribuindo nos trabalhos que faço com cantores e grupos. Além do que um CD com minha foto não ia ser algo muito agradável de ver. (risos)
Paula Asfor: Hoje, como está o Alê Damasceno (como você é conhecido)?
AD: Bem, muito bem. Pai de 2 lindos moleques, casado há 17 anos com uma pessoa que sempre me apoiou em tudo, estudando, tocando e aprendendo como viver. Que mais alguém pode querer?
Paula Asfor: Para finalizar, muitos jovens de hoje o tem como referência, como exemplo. O que diria para esse jovens?
AD: Eu só posso agradecê-los, pois dão um sentido à minha existência. Mas se tiver que escolher algo a dizer, seria: sejam felizes!